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Prepare-se para esta viagem. Imagine revestir uma obra monumental com milhares e milhares de tesselas triangulares cortadas em pedra sabão. Inicie então uma campanha convocando voluntários para o trabalho de composição do mosaico. Peça a todos que escrevam seu nome ou uma mensagem em cada plaquinha de pedra sabão. E mãos à obra. Qual será o resultado?

Certamente uma obra-de-arte de vanguarda, de fundo conceitual e de envolvimento coletivo.

Pois bem, esta obra foi inaugurada em 12 de outubro de 1931. É o Cristo Redentor, no alto do Corcovado, no Rio de Janeiro, todo ele revestido por pequenas placas de pedra sabão, nas quais foram inscritos nomes, bênçãos, pedidos e pequenas orações. De algum tempo a esta data, os cariocas pareciam ter esquecido da presença do mosaico de revestimento no Cristo Redentor até que a nova iluminação,  inaugurada no ano 2000, trouxe de volta a cor esverdeada da obra. Ela decorre da tonalidade de pedra sabão que a envolve e não das lâmpadas instaladas. Mais recentemente, durante a obra que restaurou elevadores e instalou escadas rolantes de acesso ao monumento em 2003, verificou-se que cerca de 15 por cento desse revestimento estava prejudicado e as placas foram substituídas por outras que, originárias de outro veio de pedra sabão, não guardam a mesma cor verde das demais.

O Imperador Dom Pedro I foi a primeira pessoa a escalar o morro do Corcovado. Curioso, jovem e  hiper-ativo, o monarca gostou do que viu e em 1824  mandou abrir um caminho até o topo para poder atingi-lo de cavalo. Em uma dessas expedições, levou a mulher, a Imperatriz Leopoldina, que se encantou com a exuberância da flora nativa, e também Jean-Baptiste Debret, que documentou a visita através de desenhos que mostram as paisagens deslumbrantes ao longo do caminho.

Mas a primeira pessoa a imaginar a construção de uma estátua de Cristo no alto do morro foi o padre lazarista Pedro Maria Boss, defensor da proposta em 1859. Pouco mais de 20 anos depois, Dom Pedro II mandou construir a estrada de ferro que, ainda hoje, liga o bairro do Cosme Velho ao topo do Corcovado.  A obra foi inaugurada em 1884, funcionando com máquina a vapor e com sistema de cremalheira, uma audácia tecnológica para a época. Na República, a situação da ferrovia foi-se degradando e já em 1903 a companhia foi à falência. Em 1905, o governo republicano entregou a exploração de energia elétrica na antiga capital federal à empresa canadense The Rio de Janeiro Tramway Ligth and Power Co., mais conhecida como Light, transferindo também a ela, na bacia das almas, a concessão da Estrada de Ferro Corcovado. A Light efetuou a modificação do sistema a vapor para o de eletricidade e tornou a operar a ferrovia em 1909.

Já a idéia da construção do Cristo Redentor só foi retomada em 1921, no corpo dos projetos que marcariam os festejos do centenário da Independência, em 1922. O projeto original é do engenheiro Heitor da Silva Costa, através de concurso. A primeira idéia foi a de realização de um Cristo carregando uma cruz numa mão e um globo na outra, mas a idéia acabou preterida por outra, sugerida pelo artista Carlos Oswald, do Cristo com os braços abertos. Uma delegação foi enviada a Paris procurar um escultor para a execução da obra. A intenção era contratar Auguste Rodin, mas por algum motivo, o projeto acabou sendo confiado ao artista polonês radicado na França, Maximilien Paul Landowski, que se destacava por sua ligação com o movimento art déco. Ele executou em terracota as mãos e a cabeça de Cristo, enviando as peças para serem construídas no Brasil. Na realização das mãos, valeu-se da ajuda de sua amiga brasileira, a poetisa e declamadora Margarida Lopes de Almeida (filha da escritora Júlia Lopes de Almeida) que ofereceu suas próprias mãos para a modelagem das do Cristo Redentor.

A cabeça esculpida por Landowski foi deixada por muitos anos num casarão em Santa Teresa e, em 2003, resgatada por um marchand carioca que, em leilão, a vendeu para a Prefeitura do Rio de Janeiro (exercida por César Maia), pelo preço de R$ 84 mil.

Os cálculos estruturais da obra foram feitos por Heitor da Silva Costa e contou com o auxílio permanente dos arquitetos Pedro Vianna da Silva e Heitor Levy. Este último montou residência ao pé do canteiro de obras e ali permaneceu durante todos os anos da edificação. Sendo judeu, acabou por converter-se ao catolicismo, deixando no interior do corpo do Cristo Redentor uma garrafa com os nomes de sua árvore genealógica. Toda essas etapas da construção do Cristo Redentor foram estudadas e resgatadas pela cineasta Maria Isabel Noronha, que é bisneta do engenheiro Heitor da Silva Costa e está concluindo um documentário em que entrevistou muitos descendentes de pessoas que ajudaram a colar pedrinhas na estátua.

Enfim, o mosaico do Cristo Redentor é mais que um mosaico. É uma obra de equipe, uma iniciativa ousada, de caráter conceitual, que merece mais atenção e reflexão sobre a importância de suas características singulares.

 

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